3 setembro 2026 - 17:57
A paz justa é o destino inevitável da humanidade?

A ordem que governa o universo aponta para uma realidade fundamental: a existência está estruturada sobre leis, equilíbrio e harmonia. Se o ser humano é parte desse universo ordenado, poderá a guerra, a injustiça e a violência constituir para sempre o destino das sociedades? Para o Ayatollah Nasser Makarem Shirazi, tanto a ordem da criação quanto a trajetória de desenvolvimento das sociedades apontam para um futuro no qual a humanidade caminhará em direção à justiça, à paz e às virtudes morais e espirituais.

Agência Internacional de Notícias AhlulBayt (ABNA): A ordem que governa o universo aponta para uma realidade fundamental: a existência está estruturada sobre leis, equilíbrio e harmonia. Se o ser humano é parte desse universo ordenado, poderá a guerra, a injustiça e a violência constituir para sempre o destino das sociedades? Para o Ayatollah Nasser Makarem Shirazi, tanto a ordem da criação quanto a trajetória de desenvolvimento das sociedades apontam para um futuro no qual a humanidade caminhará em direção à justiça, à paz e às virtudes morais e espirituais.

O universo, segundo essa perspectiva, é constituído por inúmeros sistemas interligados, submetidos a leis precisas. Do movimento dos grandes sistemas cósmicos à estrutura de uma pequena partícula, tudo funciona dentro de uma ordem determinada.

Essa mesma organização pode ser observada no próprio corpo humano. Desde a complexidade de uma única célula até o funcionamento do cérebro, do sistema nervoso, do coração e dos pulmões, cada estrutura opera de acordo com mecanismos extremamente precisos.

Diante dessa realidade, surge uma questão: se o ser humano é parte desse grande sistema, poderia viver permanentemente em contradição com ele, fazendo da violência, da guerra e da injustiça uma característica constante de sua existência?

Da mesma forma, poderiam a corrupção moral, a injustiça e a desordem social — que representam formas de desequilíbrio — permanecer indefinidamente no centro da vida humana?

A reflexão sobre a ordem do universo conduz, nessa visão, a uma conclusão: a sociedade humana também está destinada a avançar em direção à ordem e à justiça e, finalmente, reencontrar o caminho de harmonia que caracteriza a própria criação.

Outro argumento apresentado é a trajetória de desenvolvimento das sociedades humanas. Desde que passou a organizar sua vida em comunidade, a humanidade não permaneceu parada em um único estágio. Ao contrário, avançou continuamente em diferentes áreas.

No campo material, a transformação é evidente. Habitação, alimentação, vestuário, transportes e meios de produção passaram de formas extremamente simples para sistemas que, em muitos casos, surpreendem pela complexidade e pela capacidade tecnológica. E esse processo de desenvolvimento continua.

O mesmo ocorre no campo do conhecimento e da cultura. A humanidade continua produzindo novas descobertas, desenvolvendo pesquisas e ampliando constantemente aquilo que sabe sobre o mundo e sobre si mesma.

Nessa perspectiva, a lei do desenvolvimento não estaria limitada aos aspectos materiais e científicos. Ela também alcançaria as dimensões moral, espiritual e social da existência humana, conduzindo gradualmente as sociedades em direção a valores como justiça, paz duradoura e virtudes éticas e espirituais.

Mesmo quando a humanidade enfrenta períodos de intensa corrupção moral e social, esses próprios problemas podem, segundo essa interpretação, criar as condições para uma transformação profunda. Quando os efeitos da injustiça e da corrupção ultrapassam determinados limites, a sociedade pode começar a buscar uma mudança de valores e de direção.

Isso não significa defender ou incentivar a corrupção. Significa reconhecer que, quando uma sociedade experimenta profundamente as consequências de seus próprios desvios, pode surgir uma reação em busca de um novo caminho.

Quando os seres humanos se deparam com os limites de seus próprios erros, enfrentam as consequências de suas escolhas e chegam a um verdadeiro impasse, tornam-se mais preparados para ouvir e aceitar princípios capazes de oferecer uma saída.

É nesse ponto que, segundo essa perspectiva, a humanidade pode estar mais aberta à orientação de um líder divino que a conduza em direção à justiça, à paz e à verdadeira realização humana.

Assim, a esperança de uma sociedade fundada na justiça não seria apenas um ideal abstrato, mas parte de uma visão mais ampla sobre o próprio curso da criação e do desenvolvimento da humanidade.

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